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"Gado Sapador": Vencedor do Prémio AGIR 2018 incentiva modelo à escala regional e nacional

 

É em plena serra da Gardunha que se desenvolve o projeto autossustentável "Gado Sapador", vencedor do Prémio AGIR da REN em 2018, cujo sucesso na prevenção de fogos florestais permite antecipar o seu alargamento a toda a região e outras zonas do país. 

O projeto, que é promovido pela Agência de Desenvolvimento Gardunha 21, tem como objetivo defender e fomentar a vigilância da floresta contra incêndios no baldio da Freguesia do Souto da Casa, recorrendo à prática ancestral do pastoreio através de rebanhos de ovelhas e cabras, ao mesmo tempo que permite a valorização económica desta prática com a comercialização do leite, queijo e carne. 

Resultados alcançados

Volvidos três anos, Ana Cunha, do Conselho Diretivo da Agência de Desenvolvimento Gardunha 21, confirma o impacto desta prática feita por rebanhos de duas espécies nativas da região - a Cabra Charnequeira Beiroa e a Ovelha Merino da Beira Baixa - e que pretendem de futuro replicar à escala regional e até nacional. "O recurso da prática de pastoreio não só permite controlar os fatores de combustão como cria condições para a reprodução natural do castanheiro e do carvalho, duas espécies autóctones desta região, que funcionam como barreiras físicas à progressão de incêndios. Por outro lado, a presença de pastores favorece ainda a vigilância e uma mais rápida deteção de incêndios e a utilização de recursos, nomeadamente hídricos, pela atividade de pastoreio extensivo, obrigou, por exemplo, a intervenção nos pontos de água (barragens) existente." 

A projeção regional do projeto, despertou, segundo a responsável, a atenção para esta solução como uma solução a ser replicada e até melhorada em termos de resultados numa escala regional ou até mesmo nacional. "Estamos em contacto com diversos parceiros com o intuito de criar um modelo à escala regional. Para o sucesso do repovoamento pecuário em áreas florestais a larga escala, no que diz respeito à área de intervenção e efetivo animal, importa considerar o aproveitamento dos bens carne e leite. Deve ocupar-se de um modelo que combata a atual conjuntura de fraca rentabilidade da exploração de caprinos em regime extensivo, fortalecendo esta atividade a nível regional de diferentes formas, nomeadamente, incentivando a ocupação e utilização dos espaços rurais como principal política de prevenção, estimulando a participação da população ativa residente; atraindo investimento, através de fundos comunitários e parcerias com entidades públicas ou privadas; ciando uma dinâmica empresarial que rentabilize os produtos da exploração animal, nomeadamente, a comercialização de carne, leite e queijo e otimizando a sustentabilidade económica, social e ambiental". 

Para que tal seja possível, Ana Cunha sublinha a importância, numa fase inicial, da reintrodução no território de pelo menos 1500 caprinos/ovinos com o intuito de que sejam os animais a proceder à limpeza do combustível deixando livres de vegetação zonas de potencial perigo de incêndio. "Por forma a levar a cabo tal desiderato será necessário congregar os esforços conjuntos de produtores, associações, Freguesias e Municípios", frisa. 

O prémio no valor de 30 mil euros entregues pela REN, em 2018, já permitiu, segundo a responsável, "adquirir infraestruturas determinantes para o sucesso do projeto, sediado nos 200 hectares do baldio da Junta de Freguesia do Souto da Casa, além de também financiar a aquisição dos próprios animais de raça autóctone para pastoreio extensivo". 

Parcerias locais 

Em curso estão também associadas ao projeto "Gado Sapador" várias parcerias designadamente um protocolo celebrado com a Associação de Produtores de Queijo do Distrito de Castelo Branco que se compromete, através dos seus associados, a proceder à recolha de leite oriundo dos rebanhos em pastoreio extensivo na Paisagem Protegida da Serra da Gardunha. 

Conforme adianta a responsável pelo projeto, "foi também aprovado recentemente na Assembleia Municipal do Fundão um Regulamento Municipal de Concessão de Apoio Financeiro Destinado ao Fomento da Produção Pecuária que prevê um incentivo até 10 euros por animal, para pastoreio de pequenos ruminantes, de raça autóctone, (Ovinos da Raça Merino da Beira Baixa e Caprinos da Raça Charnequeira), inscrito em livro genealógico, e outras raças devidamente adaptadas à região, que sejam introduzidos nas áreas definidas como Paisagem Protegida da Serra da Gardunha. E, por último, encontra-se em fase de estudo, em conjunto com o ICNF, a possibilidade de ampliar o projeto Gado Sapador, e permitir o pastoreio extensivo nos terrenos Baldios da Freguesia de Alcongosta e Castelo Novo". 

Planos Futuros com enfoque na valorização do património histórico e cultural e nas novas tecnologias

Quanto aos planos futuros para o "Gado Sapador", a responsável da Agência de Desenvolvimento Gardunha 21 refere que "estão a ser implementados dois projetos em articulação com a Câmara Municipal do Fundão. O primeiro diz respeito à valorização de raças autóctones portuguesas, nomeadamente a de Ovelha Merino da Beira Baixa e a de Cabra Charnequeira, que representam um património genético valioso e apresentam um grande potencial de valorização económica e conservação de usos e costumes, uma vez que fazem parte do património histórico e cultural do País e são uma componente essencial do meio rural onde têm um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. Neste sentido, e perante a diminuição de efetivos de raças autóctones, o Município adquiriu perto de 40 ovelhas da raça Merino da Beira Baixa, inscritas no Livro Genealógico da raça, por forma a complementar o rebanho da raça de Cabra Charnequeira existente e a reintroduzir também a raça Merino da Beira Baixa no concelho do Fundão. O objetivo seria, num futuro próximo, ceder a genética aos produtores dos pequenos ruminantes mais adaptados à nossa região". 

Paralelamente, refere a responsável, está a ser levado a cabo um Plano de reintrodução de rebanhos na área protegida da serra da Gardunha cujo Regulamento se encontra na fase final de aprovação e que prevê apoios financeiros aos agricultores em geral, no Concelho do Fundão, mas que majora o pastoreio extensivo na Paisagem Protegida da Serra da Gardunha. Está prevista também a disponibilização aos produtores/agricultores, no âmbito do Centro Agrotech do Fundão, de sistemas de gestão de efetivos pecuários e a implementação de equipamentos de monitorização eletrónica e georreferenciação. "Estes softwares permitirão, além de perceber a localização instantânea, percursos efetuados, ou estado de saúde do animal, por exemplo, determinar a carga combustível existente em cada uma das parcelas delimitadas nos baldios e disponíveis para pastoreio", explica. E "será ainda adquirida uma ordenha mecânica móvel para ser utilizada por quem realiza pastoreio extensivo na Paisagem Protegida da Serrada Gardunha", conclui.

Saiba mais sobre este projeto aqui e fique a conhecer todas as edições dos Prémios AGIR aqui